domingo, 19 de maio de 2013

Capítulo 8 - A Virgem Sedutora


Joe fez uma careta ao passar a mão pelo rosto recém-barbeado. Não tinha a menor vontade de sair para jantar. Mas, quando Alberto Johnson, secretário de planejamento regional da prefeitura, ligou convidando-o para jantar em sua residência, Joe achou que não podia recusar.

Seria bom para os negócios estabelecer uma relação amigável com a autoridade local. Joe já havia encontrado Alberto antes e simpatizou com ele.

Quando Alberto explicou que havia alguém em particular que gostaria de lhe apresentar para uma conversa informal, Joe pressentiu que o secretário ficaria decepcionado se não aceitasse o convite.

Além do mais, se saísse, pelo menos pararia de pensar na única coisa que, desde da noite anterior, não saía de sua cabeça: aquela mulher sensual e inesquecível que      invadiu-lhe não apenas a suíte, mas também o corpo e a mente.

Era estranho Jeremy Discroll ainda não ter entrado em contato, e Joe esperava que aquele sujeito desagradável tivesse suficiente bom senso para perceber que ele não estava disposto a ceder a nenhum tipo de chantagem.

No entanto, pressentia que Discroll não desistiria as­sim tão fácil. Se chegou ao ponto de pagar uma garota de programa para invadir sua suíte era porque pretendia cobrar pelo serviço de algum jeito.

Será que Discroll já testou as habilidades sexuais daquela morena provocante?

Joe ficou chocado quando percebeu a tolice de sua suposição. Devia estar ficando louco! Onde já se viu sentir ciúme de uma moça como aquela, que se entregaria a qualquer um?!

Sem querer, lembrou-se de como se sentiu, dentro dela, como se estivesse envolvido por um abraço apertado. Imaginou-se como o primeiro homem que a penetrou.

Joseph:  Pois sim!

Perdeu mesmo o juízo, dizia-se, irritado con­sigo mesmo, enquanto procurava por uma placa na rua para se certificar de que seguia o caminho certo.

**
Logan: Demi, não está me ouvindo.

Ela sorriu, como se quisesse se desculpar com o primo, que estacionava na frente da casa do chefe dele.

Logan: Admita, você está um pouco estranha hoje. — Logan olhou-a com preocupação. — É a escola que a está per­turbando desse jeito? Espero que seja só isso.

Ignorando a questão, Demi respirou fundo, determinada a tirar uma dúvida que a pertubava desde a noite anterior.

Demetria: Logan, por que pediu aquele coquetel para mim ontem? Sabe que não bebo. O que deu em você, afinal? Eu bebi achando que era suco, mas...

Logan: Ei, espere um minuto! — protestou o primo, surpreso. — Não pedi nenhuma bebida para você. Deve ter havido algum engano.

Demetria: Mas o garçom me serviu algo bastante forte ontem na suíte de Joseph. Isso eu posso garantir.

Logan: O rapaz deve ter feito confusão. Pedi um coquetel de frutas. Bem que achei um pouco caro, devia ter desconfiado. Que desperdício! Espero que não tenha tomado, depois de dar o primeiro gole e perceber que havia alguma coisa errada. Tomou?

Antes que fosse obrigada a mentir para ele,Logan a tomou pelo braço, e eles caminharam até a entrada da casa de Alberto Johnson, um homem alto, de cabelos grisalhos, que os recebeu com um amável sorriso.

Alberto: Você deve ser a Demi. — Cumprimentou-a e se apresentou: — Já ouvi falar muito a seu respeito.

Ao perceber o olhar atravessado de Demi para Logan, o anfitrião balançou a cabeça, rindo.

Alberto: Não, não foi Logan que me falou de você, embora ele já tivesse mencionado que era seu primo. Referia-me a meu neto, Herry. Ele é seu aluno e também um grande admirador. Com razão, de acordo com os pais dele. Nossa filha, Sophia, ficou impressionada com os progressos que Herry teve na leitura, depois que entrou nessa escola.

Demi sorriu, agradecida pelos elogios e, ao acompanhar Alberto até a sala de visitas, passou a sentir-se mais relaxada.

Mary Johnson era tão amável quanto o marido. Contou a Demi que também foi professora, mas que havia muito tempo que deixou de ensinar.

Mary: No começo, minha filha ficou um pouco preocupada, quando soube que você adotava um método pouco convencional de ensino, que misturava a pedagogia tradicional com brincadeiras. Porém, hoje, está convencida de sua eficiência como professora. Sophia não cansa de me contar como a habilidade espacial de Herry melhorou, junto com seu progresso na leitura.

Demetria: Gostamos de estimular as crianças em diversas disciplinas, para que descubram os talentos que têm. Quan­do elas vêem que conseguem fazer uma coisa bem-feita, desenvolvem a auto-estima.

Mary: Pelo que minha filha me falou, você aconselha os pais a reservar vaga na escola assim que a criança nasce.

Demetria: Não é bem assim. — Demi deu risada. — Mas acho que a reputação daquele estabelecimento de ensino tem crescido graças à divulgação boca-a-boca. Estamos acima do limite exigido pela prefeitura para manter a escola aberta. E, pelo jeito, vamos continuar assim. A menos, claro, que a fábrica seja fechada.

Demi olhou para Alberto com uma expressão de dúvida.

Alberto: A decisão final sobre esse assunto cabe a Joseph, minha querida. Por isso, convidei-o para vir aqui hoje, jantar conosco. Foi idéia de Logan, e eu também achei que seria bom se vocês tivessem um encontro informal. Tenho certeza de que Joseph, como empresário, não parou para pesar as conseqüências que o fechamento da fábrica teria sobre a escola da vila. É claro que a possibilidade de ele escolher justo nossa fábrica existe. Pelo que sei, Jonas só pretende fechar duas das quatro fábricas que comprou.

Demi não o escutava. Desde o momento em que o ouviu dizer aquela frase assustadora: "convidei-o para vir aqui hoje, jantar conosco".

Joseph  viria! Seria obrigada a sentar-se à mesa com ele!

Ficou com medo, com um nó no estômago, quando ouviu o toque da campainha. Alberto foi atender.


Próximo Capítulo ...


Ainda hoje posto mais :) 

Capítulo 7 - A Virgem Sedutora


Demetria abriu a porta do pequeno chalé, que fazia parte de um conjunto de oito casinhas idênticas, todas com um belíssimo jardim que dava para a vila. Atrás, havia um imenso gramado. Depois de olhar para trás, subiu as escadas, como se arrastasse o mundo em suas costas.

Quando acordou, após algumas horas, com o som do telefone, Demi atendeu, assustando-se ao constatar que já passava das dez da manhã. Era seu costume, aos sábados, ir para a cidade, fazer compras no supermercado, antes de encontrar os amigos para almoçar.

Por sorte, para esse dia não combinou nada com antecedência, já que a maioria de seus amigos viajaram com a família, por estarem de férias.

Ao tirar o aparelho do gancho, sentiu o estômago re­clamar, embora achasse impossível ser Joseph. Afinal, ele nem ao menos sabia seu nome, graças a Deus!

Um arrepio de excitação subiu-lhe pela espinha, logo seguido por uma estranha decepção, que ela jamais admitiria nem para si mesma, ao ouvir a voz do primo, Logan.

Era de se esperar, depois de tudo por que passou, que seu estado emocional estivesse afetado. O trauma que sofreu afetou seu equilíbrio interior, e Demi sentia dificuldade de reagir direito às situações reais.

Logan: Até que enfim, Demi! É a terceira vez que ligo. Como foi seu encontro com Joseph Jonas? Estou louco para saber.

Demi respirou fundo. O coração bateu mais forte, de remorso e vergonha. A mão que segurava o aparelho ficou molhada de suor. Não sabia mentir, jamais soube.

Demetria:  Não o encontrei — afirmou, de repente.

Logan:  Você foi embora?

Demi agradeceu aos céus. Logan acabou de sugerir uma desculpa perfeita que lhe permitiria sair de seu dilema.

Demetria:  Eu... estava cansada e comecei a ficar confusa e... — Mas, antes que tivesse tempo de contar ao primo que pretendia escrever uma carta para Joseph em vez de falar pessoalmente com ele, Logan a interrompeu:

Logan: Achei mesmo que não teria coragem. Tudo bem. O titio aqui dará um jeito para você. Falei com o meu chefe sobre o assunto, que me convidou para jantar hoje à noite, e perguntei se poderia levá-la comigo. Ele terá uma reunião com Joseph na próxima semana e, se você explicar o caso direitinho para meu chefe, tenho certeza de que incluirá a escola na pauta da reunião.

Demetria: Logan, foi muita gentileza de sua parte, mas creio que não... — Demi não tinha a menor disposição de enfrentar um jantar, e, quanto à possibilidade de expor o que estava acontecendo ao chefe de Logan, que era responsável pela Secretaria de Planejamento, sentia-se mui­to insegura, devido à auto-estima tão abalada.

Logan, no entanto, parecia não ter intenção de ouvir um "não".

Logan:  Tem de ir,Demi. Alberto quer encontrá-la. O neto dele é aluno de nossa escola e, pelo visto, gosta muito de você. Embora...

Demi: Logan, não posso ir.

Logan:  Evidente que pode. E deve. Pense na escola, garota. Passo aí às sete e meia. Esteja pronta. — E desligou, antes que Demi pudesse reclamar mais uma vez.

Desanimada, Demi olhava para a tela do computador. Passou a tarde inteira tentando digitar a mensagem que enviaria a Joseph. A enxaqueca com que acordou havia passado, mas sempre que tentava se concentrar, a imagem indesejada de Joe invadia sua consciência.

Não era apenas o rosto dele que aparecia em suas lembranças, mas cada detalhe do que houve entre os dois. Demi notou que estava vermelha como as petúnias exuberantes que cresciam no canteiro de sua vizinha. A Sra. Benta, uma doce velhinha de oitenta anos, continuava a ser uma dedicada e ótima jardineira. Uma vez explicava a Demi que gostava das cores fortes porque essas ela con­seguia enxergar direito.
O canteiro de Demi, ao contrário, tinha uma combinação de tons de verde e cinza, na mesma tonalidade dos sen­suais olhos de Joseph.

Suas faces ficaram ainda mais vermelhas e quente, quando se voltou para a tela e percebeu que, distraída, começara a carta assim: "Prezado Olhos Sensuais".

Depressa, apagou e começou de novo, lembrando-se de como seria importante convencer Joe da importância de evitar o fechamento da fábrica.
As pequenas vilas estavam desaparecendo em todo o país, transformando-se em cidades-dormitório para trabalhadores das cidades maiores, embora todos naquela em que ela morava trabalhassem duro para preservar o lugar em que viviam.

Se o chefe de Logan os apoiasse, seria um forte aliado para a defesa da causa.
Franzindo a testa, Demi afastou a cadeira. Teria de se acostumar a lutar pela sobrevivência da escola, dali em diante.

Quando foi indicada para ocupar o cargo de professo­ra, sabia que seria por um tempo limitado. Mas, embora soubesse que poderia aumentar seu rendimento se fosse transferida para um estabelecimento maior, assim que percebeu os efeitos que o fechamento da escola teria, começou a se esforçar para ganhar mais alunos. Tentou até mesmo convencer pais que tinham a intenção de mu­dar os filhos para um estabelecimento particular a desistir da idéia para dar uma chance à escolinha primária local.

Seus esforços tinham valido a pena, pois Demi sentia-se recompensada de muitas maneiras. Jamais esqueceria o orgulho que sentia quando a escola recebeu um prêmio de qualidade, depois de uma inspeção feita pela Secreta­ria da Educação.

Orgulhava-se de toda a comunidade: dos alunos e pais que haviam apoiado a iniciativa, que reconheciam o resultado do próprio esforço e as vantagens de se trabalhar em equipe, que servia de exemplo e estímulo a todos os alunos.

Demi provou como um ambiente de segurança e amor contribuía para o crescimento das crianças, para valorizá-las como indivíduos, contribuindo para a formação de valores, formando uma base sólida que as acompanharia para o resto de suas vidas. Porém, de alguma maneira, explicar isso para Joseph seria muito mais difícil do que imaginava.

Talvez por suspeitar que ele já decidiu o que fazer e que, do ponto de vista dele, a pequena comunidade que destruiria não era nada perto dos lucros que poderia obter. Ou quem sabe fosse porque só conseguia pensar numa única coisa: a noite que haviam passado juntos.

Quanto mais tempo passava, mais ficava difícil acre­ditar no que aconteceu. Aquele comportamento não combinava com seu jeito de ser, e a prova disso era que Joseph foi o primeiro homem de sua vida.

Confusa demais para se concentrar, Demetria começou a andar de um lado para o outro em sua sala de visitas.

Embora estivesse atordoada com sua atitude, não podia negar que sentiu prazer, que gostou dos carinhos de Joe, da maneira como a possuíu.

Ora, isso na certa tinha a ver com o fato de estar meio bêbada, meio dormindo, tentava se justificar, antes de seu forte sentido de responsabilidade fazê-la lembrar a forma como reagiu quando o viu, ainda sóbria e bem acordada, no saguão do hotel.

Eram quase seis horas. A carta ainda não estava pronta, e Demi teria de terminá-la mais tarde, pois precisava se arrumar para sair.

Logan já teve muitos aborrecimentos por sua causa, e Demi deveria ser muito grata a ele pelos favores que lhe prestava.

Todavia, tudo o que queria, na realidade, era ficar em casa e se esconder do mundo, até que compreendesse o que se passava com ela.


Proximo Capítulo ...




Ta chatinho mais vai melhorar , aguardem :)

domingo, 5 de maio de 2013

DIVULGAÇÃO

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A Virgem Sedutora - Capitulo 5 & 6


No momento, quando já tinha condições de pensar melhor sobre o assunto, desconfiava de que aquilo não era apenas uma armação de Jeremy Discroll. Afinal, um ho­mem daquele tipo não poderia ser tão altruístico assim. Claro que não, de forma alguma, e Joe sabia que não se enganou ao notar o jeito invejoso com que Jeremy o olhou naquela tarde.
        
Jeremy sabia que Joe não voltaria atrás no negócio, a menos que acreditasse possuir algum meio de forçá-lo a desistir.

Agora, já tarde demais, Joe lembrou-se do artigo de jornal que Jeremy Discroll lia, enquanto conversavam.
Para um homem solteiro, um escândalo sexual publicado na grande imprensa do país não teria um efeito tão devastador. 

No entanto, Joseph, um empresário respeitado, seria motivo de piada, e poderia perder credibilidade no mundo do negócios. Se isso acontecesse, correria o risco de não ser mais levado a sério. Nenhum executivo, nem mesmo de tanto sucesso como Joseph, desejava isso.

Levantou-se da cama, lançando um olhar ressentido em direção a Demi. Como conseguia dormir com tanta tranquilidade? Como se... como se...

Sem se conter, Joe desviou o olhar para os lábios dela, ainda curvados num sorriso de satisfação.

Até mesmo nos sonhos aquela garota era capaz de continuar a fingir, como se o que tivesse acontecido entre eles fosse mesmo algo muito especial! Sem dúvida era uma atriz talentosa. Só podia ser isso.

Seu comportamento era tão incompreensível que não conseguia entender bem o que se passou. Era como se tivesse sido possuído pelo espírito de outra pessoa. 
Como foi capaz de deixar as coisas fugirem tanto a seu controle?

Então, por que ainda continuava ali, do lado da cama, a olhá-la, quando o mais sensato seria tomar um banho tão quente quanto possível, até que tivesse eliminado de sua pele o perfume dela, seu gosto e todas as sensações que havia lhe deixado? 

Por algum motivo incompreensível, isso era a última coisa que desejava fazer.

Por pouco, conseguiu evitar tocá-la de novo. Queria acariciar o rosto dela, seus cílios longos, o nariz delicado e pequeno, os lábios macios.


Como se pressentisse que alguém a olhava, Demi soltou um suspiro doce e sexy, que em seguida se transformou num sorriso de luxúria.

O que estava fazendo, afinal, ao permitir que ela dormisse daquele jeito em sua cama? 

Joseph consultou o despertador. 

Eram duas horas da madrugada. Tentava se convencer de que agia assim guiado por seu senso de responsabilidade.
Não seria seguro para nenhuma mulher, nem mesmo uma como aquela, sair sozinha tão tarde da noite. Tudo poderia acontecer.

Mas não voltaria para a cama, não se deitaria ao lado dela, de jeito nenhum.

Foi até o banheiro, pegou um robe e em seguida dirigiu-se à sala da suíte, fechando a porta.
Acendeu a luz, e a primeira coisa que notou foi a jarra e o copo onde Demi bebeu.

Franzindo a testa, empurrou-os para o lado. Ela teve a audácia de pedir que trouxessem bebida ao quarto dele. Será que precisava desse estímulo para ter coragem de se entregar a ele?

Não podia cair na armadilha de sentir pena dela. Não tinha desculpas, ela sabia muito bem o que fazia.

Já que estava acordado, poderia trabalhar um pouco. Quando sua sedutora acordasse, teriam uma conversa curta e direta.

Não permitiria que Jeremy Discroll o chantageasse pa­ra obrigá-lo a recuar.

Ainda com a testa franzida, esticou-se para apanhar a pasta.


CAPITULO 6  

Demi esfregou os olhos e fez uma careta, ao sentir um gosto amargo na boca. A cabeça doía e o corpo também, mas eram dois tipos bem diferentes de dor. O corpo estava dolorido de prazer, mas a cabeça...

Com cuidado, moveu-se, mas logo se arrependeu, quan­do sentiu as pontadas que latejavam em suas têmporas.
Levou a mão à cabeceira, esperando encontrar uma mesinha conhecida. Só então notou que não se encontrava em seu quarto.

Onde estaria? Devagar, como uma bruma da manhã, as imagens, os sons, as lembranças reapareceram perigosamente em sua memória. Claro que não, ela não poderia ter... Não!

Assustada, olhou para o outro lado da cama enorme, o coração batendo forte, e em seguida mais tranquila, quando percebeu que não havia ninguém ali. Tudo não passou de um sonho, chocante e inaceitável.

Demi não imaginava como ou por que, mas,  notou que no outro travesseiro havia a marca nítida de uma cabeça.
Tremendo, chegou mais perto e ficou paralisada ao sentir um perfume ao mesmo tempo familiar e estranho exalar no lençol.

O que antes não passava de uma imagem vaga , ganhava nitidez a cada batida de seu pulso palpitante.
Era verdade! Naquele quarto, naquela cama!

Onde estaria ele? Nervosa, Demi fitou a porta do banheiro, desviando a atenção ao ver as próprias roupas dobradas sobre uma cadeira.
Sem parar para raciocinar, levantou-se e se apressou em se vestir, mantendo o olhar fixo na entrada do banheiro.

Gostaria de tomar um banho e de escovar os dentes, mas não ousaria fazer isso. As recordações invadiam-na, e tudo piorava pelo efeito do álcool. Como pôde se comportar daquela maneira? Não conseguia compreender.

Desgostosa, lembrou-se de que havia bebido. A bebida, aquele coquetel forte que lhe foi servido, teve um efeito devastador. A mulher virgem cedeu lugar a uma fêmea sexy, agressiva e apaixonada.
Demi ficou pálida. Não era mais virgem. O fato não tinha tanta importância em si, mas, levada apenas pelo impulso, ela se esqueceu de tomar as devidas precauções para proteger sua saúde e evitar uma gravidez.
Implorou ao destino para que não a punisse por sua estupidez e rezou para que seu ato não tivesse nenhuma outra consequência, além da humilhação que sentia em seu íntimo.
Apanhou a bolsa e caminhou, pé ante pé, em direção ao banheiro.


Joseph imaginava por quanto tempo sua indesejada visita pretendia continuar a dormir em sua cama. Pensava se cinco da manhã seria cedo demais para pedir café no quarto, quando ouviu um barulho.

Embora precisasse muito dormir com conforto, decidiu não voltar para a cama enquanto aquela mulher estivesse lá. Bastava ter sido seduzido uma vez daquela maneira alucinada, expondo seu lado mais vulnerável.

Mesmo agora, depois de três horas sozinho, era difícil compreender o que se passou. Joe continuava incapaz de controlar o próprio desejo.

Sim, sentia o gosto agridoce da atração, desde o primeiro momento em que a viu. Mas, depois de saber que tipo de mulher se tratava, o normal teria sido perder todo o interesse.

Ao ver a porta se abrir, ficou tenso.



Num primeiro momento, pensando apenas num jeito de escapar o quanto antes dali, Demi não o notou, parado em frente à janela.

Amanheceu, e a luz clara e fresca iluminava toda a sala. Quando se deu conta da presença dele, Demi sentiu-se queimar por dentro, corando como os raios de sol daquela manhã de verão.

Joe viu o desespero estampado no rosto dela, quan­do Demi olhou para a saída principal da suíte. Prevendo o que ela faria, correu para lá, para evitar que escapasse.

Ao vê-lo, Demi sentiu um intenso calor. Era ele! O ho­mem que viu no saguão do hotel, que achou atraente e que despertava nela as fantasias mais extraordinárias!

Ao vê a jarra de bebida que avia tomado pensando que era água , Joe começou a falar: 

Joseph: Sim, você não apenas invadiu minha suíte como teve a coragem de pedir bebida por minha conta. Pretende pagar do próprio bolso pelo uso de minha cama e do bar ou prefere que eu mande a conta para Jeremy Discroll?

Demi, que até então permanecia muda, fitando a jarra, virou o rosto para  olhá-lo depois de ouvir o nome da pes­soa que mais detestava naquela vila.

Demetria:  Jeremy?

O sogro de Jeremy Discroll era dono das fábricas que Jeremy administrava, mas isso não os tornava populares no vilarejo. Jeremy tinha um caráter duvidoso e, para cortar os custos, tentou adotar práticas perigosas, que por sorte haviam sido evitadas graças à ação do sindicato dos trabalhadores e do Ministério da Saúde.

Mas ela não fazia a menor idéia do que Jeremy teria a ver com sua situação no momento.

Joseph: Sim, Jeremy — confirmou Joe, imitando o tremor da voz dela. — Sei muito bem o que aconteceu e por que está aqui. Mas se pensa que vou me deixar chantagear por ter cedido à...

Com dificuldade, tomada de vergonha, Demi engoliu, a garganta seca de nervoso.

Será que Joseph Jonas pensava mesmo que ela era do tipo que faria uma coisa dessas?

A palavra "chantagem" a deixou atordoada. Porém, se para ela a realidade já era algo difícil de suportar, que dirá admitir o fato diante de outro alguém. De nada adiantaria dizer que bebeu e que não tinha consciência do que fez.

Fazer amor com um estranho, sobretudo depois de ter desejado tanto tudo aquilo... Com que moral poderia encarar as crianças da escola? Como poderia ser responsável pela educação delas?
Teve um calafrio ao imaginar como reagiriam os pais e mesmo os diretores se soubessem de seu comportamento.

Joseph:  Pode voltar lá e dizer para quem a contratou que o dinheiro foi muito bem empregado, mas que isso não mu­dará em nada meus planos. Não vou desistir das fábricas, nem pretendo cancelar o contrato. Nem sequer imagino o motivo que levou Jeremy a contratá-la para fazer sexo comigo. Mas tudo o que ele me proporcionou foi uma noite de prazer sem compromisso feita com muito profissionalismo. Se Discroll pensa que pode usar isso contra mim... — Joe deu de ombros, para mostrar sua indiferença, observando a reação dela.

Demi estava pálida.Ela lutava para controlar sua confusão e se esforçava para encontrar algum sentido nas palavras que ouviu de Joseph .
No momento, não levaria em consideração os insultos que lhe eram dirigidos. Pensaria nisso mais tarde, quando estivesse sozinha. Contudo, a ligação dela com Jeremy Discroll era tolice total.
Abriu a boca, com intenção de dizer isso, mas, antes que o fizesse, Joe exclamou:

Joseph : Não sei quem você é, nem por que escolheu um jeito tão destrutivo de ganhar dinheiro!
Ignorando a última parte do comentário, talvez como uma forma de se defender, Demi gravou na memória apenas a primeira frase: "Não sei quem você é"...
Se ele não sabia, não seria ela  quem iria lhe contar. Com muita sorte, conseguiria salvar sua reputação, se o que aconteceu ficasse só entre eles dois.
Demi abandonou a ideia inicial que a levou até ali. 

Como poderia conversar com Joseph sobre o futuro da escola depois do que aconteceu? Mais uma vez, sentiu o peso da culpa. Decepcionou-se consigo mesma, deixou de lado seus princípios e valores e magoaria seus alunos também. O pior era que não conseguia entender o que se passou. A embriaguez não justificaria seu comportamento.
Lembrou-se de como reagiu quando viu Joseph Jonas na tarde anterior. Claro, não sabia quem ele era então. Apenas o achava muito atraente.
Atormentada com o que fez, experimentava o desespero e a vergonha tomarem conta de todo seu ser.
Permanecer em silêncio, sem revidar as agressões que sofria, era apenas uma estratégia para lidar com aquela situação inaceitável.


Ao vê-la angustiada e em aparente estado de choque, Joe concluiu que era, sem dúvida, uma excelente atriz.

Demetria: Preciso ir embora. Por favor, deixe-me passar.

A voz macia o fez rememorar os sussurros de prazer que ouviu. Não podia ser! Ainda a desejava!
Embora Joe não tivesse feito um único gesto para se afastar da porta, Demi juntou todas as forças que lhe restavam e caminhou, decidida, sem olhar para o lado.
Durante o curso de Pedagogia, fez um estágio com adolescentes rebeldes, sem se apavorar. Será que não era capaz de encarar um homem comum?
Ao perguntar-se isso, riu por dentro, consciente de que o uso do termo "comum" para se referir a Joseph era um grande absurdo.

Ali estava uma moça corajosa, concluiu Joe, ao vê-la passar por ele, com toda a calma. Mas era lógico que, sendo uma profissional, era treinada em lidar com saídas estratégicas sem se intimidar. Constrangê-la seria contra seus princípios, mas não poderia permitir que ela se fosse sem antes dizer tudo o que achava dela e daquele que a contratou.
No entanto, Demi percebeu o perigo de continuar ali por mais um segundo que fosse. Estariam muito próximos, lado a lado. Com um suspiro de alívio, pôs a mão na maçaneta.
Joe esperou que ela a girasse, antes de fazer um último comentário:
Joseph:  Discroll acha que fez uma boa jogada, mas pode dizer a ele que não foi. Ah! Só um último aviso para você, em particular. Se tentar publicar qualquer coisa a res­peito do que aconteceu ontem, pode ter certeza de que as consequências do escândalo serão dez vezes piores para você do que para mim.

Demi se manteve calada. Jamais nunca passou por uma situação tão dolorosa .
Joseph parecia ainda não ter terminado. Antes que Demi pisasse no corredor, ele segurou a porta, colocando a mão sobre a dela, um toque forte e masculino que a fez estremecer.
Joseph: Claro que se você fosse mesmo esperta poderia ter vendido sua história por um preço muito mais alto.
Mesmo sem querer, ela se viu tentada a perguntar:
Demetria: O que... quer dizer com isso?
Ele deu um sorriso cínico de satisfação.
Joseph: Que seria natural que tivesse negociado um preço para seu silêncio. Eu teria pago muito mais do que Discroll.
Demetria: Eu não... eu não... Olhe, não há dinheiro que pague o que... vivi ontem à noite. — E, antes que ele tivesse tempo de falar qualquer outra coisa que a magoasse ainda mais, conseguiu soltar-se e correu para o elevador.
Uma camareira de uniforme parou para olhá-la, mas Demi não estava em condições de perceber nada.
Joe a observava, furioso. Será que ela o julgava tão tolo a ponto de acreditar naquela frase de pureza vitoriana? Bem, quanto às lembranças que aqueles momentos de prazer deixaram em seu corpo, não poderia negar que a história era bem outra.

Para alívio de Demi, ninguém deu por sua presença ao atravessar o saguão.
"Pare de pensar nisso", dizia a si mesma ao alcançar a rua,
A primeira coisa que faria quando chegasse em casa seria tomar um banho, decidiu. Em seguida, escreveria uma carta para Joseph, falando sobre as consequências sociais que o fechamento da fábrica teria sobre a comunidade local. Depois do que houve, não existiria a menor chance de conversar com ele face a face. E por último cairia na cama e tentaria recuperar o sono atrasado.




PRÓXIMO CAPITULO ....